Chamam-lhe o “Zé Malcriado” mas o homem por detrás do balcão da Casa Boa Gente é Arménio de nome.
A sua atitude faz jus ao epíteto pois, em dias de stress, o homem despacha pratos entre imprecações. Nada de grave, se considerarmos que o restaurante de Matosinhos é dos melhores em termos de relação qualidade (excelente) / preço (em conta).
Na casa decorada com bandeiras e iconografia diversa, numa estruturada desorganização que é capaz de colocar o Papa ao lado da Madonna, o peixe é fresco e de cozinha simples – como deve ser -, passado na grelha, de preferência, sem grandes laivos fantasiosos: azeite, sal, pitadas de alho ou coentros, na hipótese mais artística.
Esse peixe é o que vem – garantia da dona – do “Mar de Matosinhos”. Aqui o escriba faz gala de saber que a maioria dele é, realmente, proveniente das traineiras de Matosinhos e que esta é das primeiríssimas casas a licitar cabazes.
Parco em entradas e sobremesas, o “Zé Malcriado” aposta na barriga cheia e na satisfação de um bom peixe e um bom vinho, seguidos de alguma coisinha que adoce, sem grandes ambições.
Com café, poderá a conta chegar aos 20 Euros num almoço mais lauto, ou aos 33 que paguei no sábado passado por:
lulas grelhadas, camarão e vinho verde da casa de entrada
sargo com batata a murro e salada mista
café e vinho maduro branco (planalto, douro – que havia senhoras)
café e cr&f reserva
Enfim, acima de tudo, muita qualidade num local descomplexado, ali na “rua dos restaurantes”, a Av. Serpa Pinto, em Matosinhos. Terra de horizonte e Mar.
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